Todos os anos, milhares de passos cruzam estradas, trilhas e rodovias mineiras movidos por um mesmo propósito: a fé. Em direção ao Santuário Basílica de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja, em Romaria, no Triângulo Mineiro, devotos transformam o caminho em oração e mantêm viva uma tradição que atravessa gerações. Agora, essa manifestação centenária da religiosidade popular poderá receber reconhecimento nacional por meio de um projeto de lei de autoria da deputada federal Ana Paula Leão.
O Projeto de Lei nº 3.072/2026, além de valorizar uma das mais expressivas demonstrações da religiosidade popular brasileira, fomenta o apoio do poder público ao fortalecimento da tradição, mediante ações como políticas de segurança para os romeiros, auxílio à infraestrutura necessária para a realização das celebrações, integração dos peregrinos ao longo do percurso e assistência durante a caminhada e os eventos religiosos.
Para a deputada, o reconhecimento nacional representa uma forma de preservar tradições, fortalecer identidades regionais e incentivar ações que garantam mais acolhimento e segurança aos romeiros. “A celebração de Romaria faz parte da história e da identidade de Minas Gerais. É uma tradição construída pela fé de milhares de pessoas e reconhecer essa peregrinação como manifestação da cultura nacional é valorizar uma herança que atravessa gerações e pertence ao patrimônio imaterial do nosso povo”, destaca Ana Paula Leão.
A devoção à Nossa Senhora da Abadia tem origem em Braga, Portugal, e chegou ao Brasil durante o ciclo da mineração. Inicialmente, os devotos da região de Água Suja, atual Romaria, peregrinavam até Muquém, em Goiás, para participar das celebrações religiosas. Com o crescimento da comunidade e as dificuldades enfrentadas nos deslocamentos, foi construída uma capela dedicada à Santa, que mais tarde se transformaria em santuário e, posteriormente, em santuário basílica.
Desde então, a história da cidade e a devoção à Nossa Senhora da Abadia passaram a caminhar juntas. A tradição centenária se consolidou como uma das maiores peregrinações religiosas do país, mobilizando milhares de pessoas na primeira quinzena de agosto, especialmente no dia 15, data dedicada à padroeira.
“Essa manifestação vai muito além do aspecto religioso. Ela movimenta comunidades, preserva memórias, fortalece laços de solidariedade e contribui para manter viva uma tradição transmitida de geração em geração. É uma manifestação cultural genuinamente brasileira e merece esse reconhecimento nacional”, afirma.